No ínicio de 1914, podíamos
encontrar instalado na Rua da Assunção, no nº39, Valentim de Carvalho, que
desde muito cedo se dedicou à actividade comercial, primeiro como colaborador,
e mais tarde como empresário. Vendia nesta rua capas e letras de músicas
(especialmente da Revista à Portuguesa). Mais tarde em 1923, ocupava também o
Salão Neuparth, na Rua Nova do Almada. Já ligado à música, Valentim de Carvalho
vendia gramofones, discos, pianos e partituras musicais
A
Rua da Assunção, nº42, 2º andar, foi também a sede da firma Félix, Valladas
& Freitas, Lda. onde Fernando Pessoa e Ofélia Queirós se conheceram em
1919.A relação com Ofélia foi provavelmente a única relação sentimental que
Pessoa teve em toda a sua vida.
Ofélia
Queirós nasceu em Lisboa em 1900, era a mais nova de oito irmãos e aprendeu
francês e inglês. Gostava de ler, ir ao teatro e conviver.
O
namoro entre os dois começou por uma troca de olhares, gracejos e bilhetinhos,
e decorreu durante duas fases, de março a novembro de 1920 e de setembro a
dezembro de 1929, embora o contacto entre os dois se tenha mantido cordial até
à morte do poeta. A primeira fase, marcada por uma paixão sincera, terminou com
uma carta em que Pessoa afirmava que o seu destino pertencia a outra lei. O
reencontro, motivado por uma fotografia do poeta a beber no Abel Ferreira da
Fonseca oferecida a Carlos Queirós, inicia-se quando Ofélia mostra vontade de
possuir uma igual e Pessoa lhe envia uma com a dedicatória: “Fernando Pessoa em
flagrante delitro”. Nesta segunda fase, nota-se uma enorme confusão de
sentimentos e perturbação psíquica. Foram trocadas pelos dois inúmeras cartas
de amor, contudo, não chegou a haver casamento.
(O trabalho foi realizado em conjunto com a Margarida)
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