quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Quem és tu?

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?


A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.


A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

     Nos seus poemas, Sophia busca sempre a perfeição e harmonia de um ser humano a partir das suas imperfeições, tal como neste poema.
     Através do primeiro terceto podemos concluir que o sujeito poético refere-se a uma pessoa que não conhecia e que trazia consigo um certo mistério, obrigando-a a querer saber mais sobre a pessoa (Pisando o luar branco dos caminhos, / Sob o rumor das folhas inspiradas?), mas, prosseguindo a leitura, ela dá-nos a entender que o indivíduo pode vir a ser o seu amado, considerando-o perfeito e ficando muito feliz com a sua presença. Sente-se como se fossem destinados um para o outro (E a tua presença acorda a plenitude / A que as coisas tinham sido destinadas.)
     No último terceto, os gestos do amado do sujeito poético são comparados a história da noite, isto é, a história que eles os dois tiveram, na noite, significando que era um segredo, pois ninguém via. A sua juventude era comparada ao ardor do vento, que representava o tempo, e ele mantia-se sempre jovem, cada vez que o sujeito poético o via; e, por fim, o seu andar era considerado a beleza das estradas, ela alegrando-se cada vez que ouvia os seus passos (A perfeição nasce do eco dos teus passos).
     Do meu ponto de vista, o poema é muito interessante, e a forma como o sujeito poético descreveu o seu amado foi magnífico, pois todos nós acabamos por nos sentir assim acerca de alguém, mesmo sem dar por conta disso, o que torna o poema ainda melhor e dá muito mais prazer em ler.